quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Natal e Vida


No Natal não tem como não pensar nos grandes desafios da vida em sociedade. É como se o Natal fosse um microcosmo da vida, em apenas uma noite.

Como na vida, todos querem que tudo dê certo, que seja alegre e tranqüilo. Mais do que isso, querem presentear. Começam os conflitos pois há necessidade de escolhas, aparecem as preferências, tem-se que dividir para atender a uns e a outros.

Há que definir onde vai ser a festa de Natal e este momento é um exercício de liderança, de influência. Quando não se consegue integrar, vira um ir e vir de uma casa para outra. Quantas vezes na vida, no dia a dia, não estamos de um lado para o outro para atender uns e outros? Aí, aparecem as disputas, competições e o descontentamento dos que ficaram para depois.

Para a ceia, a divisão dos pratos, quem leva o que ou do dinheiro de cada parte é a experiência de divisão de trabalho e responsabilidades. Como na vida, tem sempre o que gosta de fazer muito, o que prefere pegar pouco, o que se preocupa que a divisão esteja justa e o que nem fica sabendo que houve divisão.

Na hora da festa, há a diferença de interesses e motivações. Os pequenos precisam comer logo porque vão esperar Papai Noel, os jovens demoram pra chegar e já querem sair...Também na vida somos tão diferentes nas nossas motivações, valores e interesses. As crianças esperaram o dia todo, o mês todo por essa data tão importante, ainda com a expectativa do presente. Os jovens nem viram o tempo passar, já tem o presente e pensam no futuro, e os idosos lembram do passado e a cada ano se despedem do presente.

As mães, como na vida cuidam para que tudo dê certo. O forno, a entrega dos presentes, a ceia... Não é tão simples, a comida tem que ficar pronta na hora que todos já chegaram, deve esperar a oração sem queimar, e os presentes, antes ou depois? Também na vida, muitas mães assumem o papel de responsáveis para que tudo aconteça na hora certa.

A revelação do amigo secreto é a hora da individualidade: o que o outro pensa de mim, o que vou dizer, o que posso dizer...afetos, expectativas que nos acompanha no dia a dia. Depois de abrir os presentes aparecem desapontamentos, frustrações mas, também alegria e entusiasmo.

As avós, como na vida, ficam atentas para que não falte a hora da oração. Elas sabem que a experiência mesmo de integração é ali, na hora das vozes juntas, das mãos dadas, independente das palavras que dizem. Ali estão diferentes crenças, diferentes devoções dizendo as mesmas palavras como na vida.

Essa união, às vezes fugaz, se estende pela ceia e nos brindes. Comemos e bebemos juntos.

É aproximação e distanciamento, é o sozinho e o junto, é o apesar de tudo: juntos outra vez!

Feliz Natal e Fecidades a todos!

Sugestão de presentes para crianças que já tem tudo: Caixas de brincar

A Caixa de Brincar é diferente de tudo que você já viu. Não vem com brinquedo, vem com coisas de brincar. De pintura, colagem, culinária, jardinagem, bijuteria e outras opções. Tudo solto e misturado. Nada pronto ou acabado. É um brinquedo que não vem brincado! Por isso, estimula a criatividade, a arte, o sonho, a imaginação, a coordenação motora e o relacionamento entre pais e filhos. Para a diversão começar, você só precisa escolher o tema. E a Caixa de Brincar chega em poucos dias, acompanhada de um "manual para os adultos”, porque criança não precisa. Ela já nasce sabendo brincar. É só estar junto e se divertir.

www.caixadebrincar.com.br

Para se divertir e refletir leia também: Preciso rever o meu Natal quando: -Crédito:Ombdusmae.blogspot.com

domingo, 14 de novembro de 2010

Para puro deleite

Para sugerir música para crianças não é preciso motivos especiais....Mas, além de fazer bem para a alma pode também fazer bem aos neurônios.

Vejam o que diz o neuropediatra Mauro Muszkat:

MÚSICA PARA OS NEURÔNIOS
Esse é um dos estímulos mais importantes para o desenvolvimento da criança, por envolver diversas áreas cerebrais, especialmente nos primeiros dois anos de vida. "Os sons, ritmos e tudo o que envolve o universo musical facilitam a organização visual e de espaço, o entendimento, o raciocínio lógico e a expressão", afirma o neuropediatra Mauro Muszkat.

O especialista alerta, porém, que, recebidos de forma passiva, os impactos da música são relativos. Por isso, é importante incentivar a criança a cantar, dançar e, a partir dos três anos, se ela manifestar interesse, aprender a tocar instrumentos musicais. Os pais devem participar dessas atividades ativamente.

Quanto a que tipo de música incentivar os filhos a ouvir, isso é uma questão pessoal. Mas sem dúvida alguns ritmos são mais saudáveis. A simples audição de música clássica, por exemplo, pode não ser tão relevante ao desenvolvimento e aperfeiçoamento do cérebro infantil, como sugerem alguns estudos, mas certamente ajudará a criança a ser mais tranqüila.

A série Aprendiz de Maestro propõe boa música e a participação ativa das crianças. Gostaria de compartilhar: Na série, personagens como Operilda e Maestro João ensinam música às crianças de uma forma divertida, dinâmica e informativa, em espetáculos que unem orquestra e teatro.

Esses concertos acontecem na belíssima Sala São Paulo. Vai uma palhinha:




Para os ingressos: www.tucca.org.br/eventos/comocomprar.asp


domingo, 24 de outubro de 2010

“Há sempre um copo de mar para um homem navegar...”

Com esse título cheio de esperança a Bienal de São Paulo é uma ótima experiência para crianças.

Vejam que se propõe a oferecer:

“...contato com maneiras de pensar e habitar o mundo para além dos consensos que o organizam e que o tornam ainda lugar pequeno, onde nem tudo ou todos cabem”

Para visitar com as crianças é interessante que seja com monitores. Você pode agendar pelo telefone: (11) 3383-9090. Ou no portal.

Dados sobre a Bienal elaborados pela artista plástica Ana Maria Bomfin. Podem ser mostrados para as crianças antes da visita:


Se precisar de mais ajuda : Ana Maria Bomfin: abomfin@bol.com.br

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Dia da Criança


Toda criança é um testemunho da eternidade, uma certeza da renovação da vida, portadora de um mistério....

Toda criança nasce com o direito de ser. Ofende o direito de ser, conceber a criança como apenas um projeto de pessoa, como alguma coisa que no futuro poderá adquirir a dignidade de um ser humano. Uma sociedade justa é aquela em que todas as crianças são tratadas como pessoas desde o seu nascimento, tendo a efetiva possibilidade de crescer e de viver como pessoas.

A criança é um ser racional, dotado de inteligência, podendo desenvolver essa faculdade desde que lhe seja assegurado o direito de pensar por si própria.

Todo ser humano é dotado de sensibilidade.... A criança tem o direito de ser tratada como um ser capaz de sentir e poderá experimentar grande sofrimento se essa característica não for respeitada e ao contrário, desenvolverá sua condição humana se for favorecida a expressão dos seus sentimentos.

O direito de querer significa a possibilidade de ter uma vontade livre. A criança deve ter o direito de querer, de manifestar sua própria vontade, sem medo e sem constrangimento.

Toda criança deve ter o direito de viajar pelo mundo do sobrenatural e de acreditar no impossível. Toda criança deve ter o direito de viver uma realidade que estimule os sonhos e de usar a matéria prima dos sonhos para fecundar a realidade.

Um mundo de crianças sonhadoras e felizes será a garantia de um mundo de paz.*


* Texto adaptado de "Os direitos da criança" de Dalmo de Abreu Dallari

Imagem:Tela de Ernesto Quissak Jr.




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tudo no seu tempo!

José chega ao consultório em busca de ajuda para o filho. Homem de carreira brilhante, orgulhoso da sua própria vida e sinceramente preocupado com o futuro do filho. O menino de 9 anos só quer jogar videogame, dá trabalho pra ir tomar banho, não vai se os pais não mandarem, fica brincando ou vendo TV. Quando vai andar de bicicleta, esquece da hora e às vezes da lição...

Lembrei-me da história contada por Clarice Lispector da menina “que observava tanto as galinhas que lhes conhecia a alma e os anseios íntimos”, cuidava delas com muito amor. Essa menina se incomodava com o cheiro que sentia debaixo das asas das galinhas, atribuía a problemas no fígado e tratava-as com remédios colocados bico a dentro, goela abaixo. Clarice comenta que queria curar as galinhas de serem galinhas. Diz ela: “A menina ainda não tinha entendido que os homens não podem ser curados de serem homens e as galinhas de serem galinhas .”

Fiquei pensando se José não estava querendo curar o filho de ser criança ...Deixar de gostar e de preferir brincar, andar de bicicleta, jogar videogame a estudar, a arrumar o quarto? Parar com facilidade uma brincadeira, um jogo, largar a bola pra ir tomar banho?

Curado não daria trabalho ...O pai poderia então dedicar-se ao seu importante trabalho profissional dia e noite, como aliás já fazia. “Que trabalhão isso de ter que ficar mandando! Todo dia a mesma coisa, não aprende. Acho que tem problema de compreensão ou de memória. Ou talvez de audição: Não tá escutando menino?”

Na verdade, trata-se de um problema de diferença de interesses, motivações e desejos...Isto é: “ eu gosto de brincar e quero brincar”.Interesse e desejo próprios da idade. “Vou parar de brincar para atender aos meus pais que estao mandando.”

Os pais precisam mesmo ter esse trabalho, é um controle externo enquanto a criança cresce. Ela aprende sim, mas aos poucos, durante a vida. Desenvolver essa autonomia precocemente é tão ruim quanto desenvolvê-la mais tarde.

Então a questão seria : Aos 9 anos as crianças devem ser totalmente autônomas, prescindir de instruções e controle externo dos pais ou estão na idade de querer brincar,brincar e brincar

O bom é que seja no seu tempo !

Leia mais

Leia também:Uma história de tanto amor –Clarice Lispector

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Muitas obras em argila são produzidas. Este pinguim , vejam que delicadeza, segura o ovinho na asa. Seu autor não quis que ele fosse colado, quando sugeri. Assim a fragilidade da vida ficou representada.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Tem que ser assim ?


Rafael* (9 anos) entra na sala e ao ver o desenho (o pequeno) me pergunta o que é.

Respondo com muita segurança que é um dragão e ele me pergunta como eu sei.

Respondo que para mim é muito claro:--- Olha o rabo, acho que só dragão tem esse rabo.

Rafael percebeu que estava diante de uma pessoa com facilidade para entender desenhos e se arriscou dizendo que também ia desenhar o seu dragão. E desenhou (o maior).Ao terminar, propus que se afastasse um pouco para olhar e perguntei se ele sabia que sabia desenhar um dragão daqueles. Respondeu satisfeito dizendo:----Eu não sabia que sabia! E completou:---Agora os meninos lá na escola não vão mais me zoar que eu não sei desenhar.

Essa situação me levou a reflexões, a questões para muitas das quais não tenho resposta.

Que criança “zoa” uns com os outros, todos sabemos; não é de hoje.

O episódio me chama a atenção por alguns aspectos: o conteúdo do que é “zoado”: qualidade do desenho, e o transtorno que provocara em Rafael; a ponto de ter parado de desenhar até aquele dia.

Imagine-se um grupo de crianças de 9 anos que avaliam desenhos uns dos outros. Para isso, precisam olhar o que os outros estão desenhando. Determinam então se é bom ou não e se não, o seu autor é vítima de gozação e rechaço. Qual será o padrão que usam para avaliar desenhos, tão difícil, essencialmente pessoal e subjetivo.

Como uma atividade que deveria ser autônoma, pessoal e sem padrões pode ser assim comparada? Buscam padrões prematuros para o desenho. Provavelmente aquele baseado no real, isto é, quanto mais parecido com o real melhor o desenho. É certo que nesta idade, ao desenhar tentam representar o real,mas como representação pode deixar um espaço para a criatividade, para o pessoal.

Os que “zoaram” ou “zoavam” estão desde já atrelados à prática de avaliar o outro, de compará-lo a um padrão, além de terem eles próprios uma precoce necessidade de padrões.

O que foi “zoado” vinha se submetendo ao padrão definido pelo grupo, foi discriminado pela crítica, deve ter se sentido ameaçado de exclusão e como defesa parou de desenhar. Parou de exercer espontaneamente uma atividade tão prazeirosa e importante como desenhar para crianças .Nesse dia se libertou, não porque já não se submete ao padrão do grupo mas porque descobriu que sabe desenhar. Podia não ter descoberto, seria uma faceta sem espontaneidade dentro de si ...

Isso acontece porque essas crianças vivem em um mundo assim e incorporam desde cedo valores, tais como: precisamos estar no padrão ou "acima" dele.

E padrão existe para tudo: para estética do corpo, para carreira e profissões, para o desempenho em geral...

Como conviver com as diferenças sem discriminá- las em um mundo tão cheio de padrões ?

Como estimular o esforço pessoal sem aprisionar as crianças em padrões?

Tem que ser assim?

Não posso ser diferente?

Nem o meu dragão?

*Nome fictício